São Paulo, 10/10/1995
As coisas que gritamos ao vento são levadas pelo tempo... Eu não quero te gritar ao vento, não quero ver o ar do verão te levando levemente. Te perder agora seria como perder uma memoria tão recente impossível de esquecer. Não quero expor esse espetáculo que dentro de mim vivi é estreia todos os dias, esse espetáculo te pertence, eu quero que tu vejas, ninguém mais precisa ver, ninguém. Esse espetáculo e tão teatral que muda de humor todo o tempo, tenho horas que te vejo chorando e dizendo que não me ama, sabendo que não aguenta viver sem mim nem mais um segundo da sua vida, então tem horas que te vejo sorrindo e dizendo que esse amor todo e mentiroso, que ele te engana e desengana. Você escuta rock 'n' roll e eu bolsa nova, mesmo assim, a gente tem tudo a ver, nessa diferença tão idiota eu aprendi a te amar, se não fosse isso, que ao menos fosse outra coisa, quem sabe ódio. Te escrevo essa carta porque eu não saberia dizer tudo isso junto do teu olho, esse olhar esmagador, que me tritura por dentro, não aguentaria tanta reprovação de alguém que não sabe o quanto eu amo sem sair gritando. Talvez quando você receber essa carta eu já estarei longe demais para dizer mais alguma coisa, mais a minha intenção esse tempo todo baby, foi só te amar.
Com amor, Hannah.
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