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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Reflexões de Liquidificador



     Despertei, a luz da janela esmagava meus olhos, automaticamente voltei para baixo do meu cobertor, meu relógio de cabeceira marcavam 12:00hs de um domingo, porquê diabos eu estava acordando tão cedo? Logo num domingo, esse é o tipo de dia que ou você escolhe pra amar ou odiar,  honestamente prefiro ficar com a segunda opção, sempre achei um dia odioso onde a maioria das pessoas escolhiam pra se divertir, eu preferia dormir, era uma maneira muito atrativa de se passar o dia, talvez até o mês, o ano...
      Minha mente começava com suas reflexões de liquidificador, sabia que era o primeiro indicio que não iria mais conseguir dormir, teria que me arrastar pelo resto do dia, reflexões, reflexões, porque eu não parava com isso? O tempo inteiro era só o que eu sabia fazer...
      Pelo visto depois de tantos dias chuvosos o sol resolveu aparecer, claro demais pro meu gosto. Tenho que ao menos levantar, dizia isso pra mim com força. Meus vizinhos e suas músicas odiosas também não ajudavam muito numa madrugada de domingo. Sentia que alguma coisa muito seria conspirava contra mim, não quero explicações sobre, já me basta saber que conspira contra.
       Pé esquerdo primeiro, nada de começar o dia com superstições. Andando calmamente ate o banheiro, parei em frente ao espelho - Mas que cara é essa - me analisei um pouco e de repente me deu uma vontade de te ligar, dizer que te amo e que sinto saudades, sabia que você ouviria com seu jeito sarcástico e iria dizer que tinha que fazer qualquer coisa e depois me ligava e eu com um balbucio qualquer desligaria. Burro, burro, burro, porquê tive que me apaixonar por você? burro, burro, burro, sabia que nunca ia dá certo, eu te amo demais, você nunca me enganou, nunca deu falsas esperanças, mas eu não conseguir, essas coisas do coração são mais fortes que a gente. Sabia que o dia iria acabar do mesmo jeito que todos os outros deis de que você se foi, odiava sentir aquilo tudo, era tão clichê filme romântico, iguais aqueles que a gente ficava em casa vendo no domingo depois do almoço - Suavemente percebi que ainda me olhava no espelho, percebi também que conversava com o mais intimo de mim-.

(...)

Eu não sei o que aconteceu comigo, alias sei sim, mais finjo não saber, talvez doa menos, ou só finje que doi menos e eu finjo que acredito. - Sentei na bancada da cozinha depois de voltas dadas pelo quarteirão a procura de alguma coisa que não encontrei e nem ao menos sabia o que era, estava cansada, não corporalmente mais espiritualmente, sabia que aquilo tudo era um processo necessário mais não me acostumava, discordava, grunhia com o rosto forçado no travesseiro todas as noites esperando que ao menos algumas lágrimas viessem para me consolar...

(...)

Talvez eu só precisasse de mais algum tempo pra saber que o vento da noite iria levar toda aquela cinza de uma paixão que queimou tão rápida.

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